Até que ponto o digital é facilitador na construção de uma virtualidade?
Apesar de o
virtual ser frequentemente associado ao digital no senso comum, essa esfera não
é necessária para a construção de uma virtualidade, de uma abertura da interface
para a alteração dada por meio da interação. O digital, por sua abertura para
inputs de 0 a 1, pode sim ampliar essas possibilidades, porém o que se observa
atualmente é uma supervalorização dessa área, focando-se apenas na magia do
truque, do mistério em seu funcionamento, deixando-se a magia da experiência de
lado. Além disso, há casos em que a tecnologia é utilizada para automatizar
cada vez mais a interatividade – como nas sugestões de música e filmes apresentadas
como adequadas ao ouvinte em aplicativos, tendo-se em consideração seu
histórico de pesquisa, que acabam reduzindo a possibilidade de incentivá-lo a
buscar por novas opções. Assim, o virtual só é facilitado pelo digital enquanto
essa plataforma amplia as possibilidades de alteração e participação, não as
perdendo de vista a partir do direcionamento do foco apenas para a complexificação
e a tecnologia.

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