Exposição Entre Nós


           No dia 27 de maio, visitei a exposição "Entre Nós - A Figura Humana no Acervo do MASP" no Centro Cultural Banco do Brasil. A exposição tem como foco a representação da figura humana, tema característico das diferentes coleções do acervo do MASP. A exposição ganhou destaque por contar com quadros de diversos artistas renomados, como Renoir, Van Gogh, Picasso, Diego Rivera, Burle Marx, Portinari, Djanira e Flávio de Carvalho. Porém, em meu ponto de vista, o aspecto mais rico da exposição é sua diversidade. Apesar de o tema girar em torno da figura humana, os locais de origem dos quadros, os contextos e as épocas em que foram produzidos são muito diversos, possibilitando uma ampla visão dos diferentes tipos de abordagem e estilo ao longo do tempo. Exemplo da diversidade de artistas e estilos pode ser observado a partir desses três quadros expostos em sequencia na exposição: 


Retrato de Leopold Zborowski, 1916-19 - Amedeo Modigliani

Busto de homem (O atleta), 1909 - Pablo Picasso

Menino nu e tartaruga, 1923 - Vicente do Rego Monteiro



           Apesar de serem de uma época próxima, os três quadros dizem muito da diferente abordagem de cada artista. O primeiro quadro, de Amedeo Modigliani, artista italiano, é característico de seu estilo pela representação do personagem com pescoço alongado e face elíptica de traços delicados. O segundo, de Pablo Picasso, artista espanhol, diz muito sobre a abordagem do autor em seus quadros cubistas - o retrato com quebras bruscas e geométricas, com intensa figuração. Já o terceiro quadro, de Vicente do Rego Monteiro, artista brasileiro, chama atenção pela semelhança da figura com uma cerâmica em alto-relevo, pelas linhas marcadas que contrastam o claro e o escuro. Esse ultimo quadro mescla a herança das vanguardas e a matriz indígena brasileira, caracterizando o movimento antropofágico no Brasil. 
           Essa diferença entre as abordagens também fica clara quando, no meios das pinturas, encontram-se expostas esculturas de Edgar Degas, representando bailarinas em tempos marcados de dança, com foco na posição de arabesque. As pequenas esculturas em sequência, de 1919-32,  passam a impressão de movimento e leveza. 


           A exposição, que conta com cerca de cem obras, reúne pinturas e esculturas desde o século 14 até as vanguardas históricas do século 20, além de abordar a figura humana em coleções pré-colombiana, africana, brasileira, latino-americana e coleção de fotografia. A experiência proporcionada pelo conjunto é rica e plural no que diz sobre a mudança e vivência da estética  ao longo do tempo.

Comentários

Postagens mais visitadas