Sobre Vilém Flusser, "Animação Cultural"
Logo no início do texto "Animação Cultural", de Vilém Flusser, a ideia de domínio do homem sobre os objetos é apontada como um equívoco dos primeiros. A partir da visão da humanidade, haveria uma suposta relação unilateral e de superioridade humana em relação aos objetos de qualquer natureza. Tal erro decorre de uma valoração que não permite aos homens reconhecer sua dependência dos referidos objetos. O que se observa, porém, é que essa relação tornou-se muito mais complexa a partir de sua inversão, tendo os humanos se tornado, para sua própria funcionalidade, reféns do que eles consideram instrumentos. Nesse sentido, o âmbito cultural também é prejudicado, na medida em que ele passa a ser desvalorizado e visto como apenas mais um meio de programação da humanidade.
Entretanto, apesar dessa visão de influência de um sobre o outro - seja dos objetos sobre os humanos ou o contrário -, um ponto levantado pela aluna Beatriz Werneck me chamou a atenção: o de que a relação entre objetos e homens pode ser vista como uma interdependência entre eles, cenário em que ambos os grupos precisam do outro para seu funcionamento. Outro ponto interessante levantado foi o de Cecília Corgosinho, que apontou a arquitetura como um possível elo entre o agente e o seu objeto de ação - exemplificando essa possibilidade de interdependência dos grupos.


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